Category Archives: Gonçalo Mira

Orgia Literária, 2006-2015: Um imenso adeus

Nove anos depois, é chegado o momento, já várias vezes equacionado, de encerrar esta aventura teimosa chamada Orgia Literária. Foram nove anos intermitentes e indecisos, com muitos erros cometidos pelo caminho, muitas paragens mais ou menos forçadas, muitas quebras de

Orgia Literária, 2006-2015: Um imenso adeus

Nove anos depois, é chegado o momento, já várias vezes equacionado, de encerrar esta aventura teimosa chamada Orgia Literária. Foram nove anos intermitentes e indecisos, com muitos erros cometidos pelo caminho, muitas paragens mais ou menos forçadas, muitas quebras de

O poeta e o drogado

Quando cheguei a casa para almoçar, a minha mãe recebeu-me com uma pergunta: “Sabes quem é que morreu?” Ao dizer-lhe que sim, fez um ar surpreendido. Na minha cabeça, a surpresa era ela saber, e não eu. “O Herberto Helder,”

O poeta e o drogado

Quando cheguei a casa para almoçar, a minha mãe recebeu-me com uma pergunta: “Sabes quem é que morreu?” Ao dizer-lhe que sim, fez um ar surpreendido. Na minha cabeça, a surpresa era ela saber, e não eu. “O Herberto Helder,”

Que faremos quando tudo arde, Lobo Antunes?

Num interessante artigo publicado no Observador, Joana Emídio Marques fala da queda das vendas de António Lobo Antunes. O artigo foca-se no vulto maior da literatura portuguesa, de entre os autores vivos, porque Lobo Antunes ocupa solitariamente um trono que

Que faremos quando tudo arde, Lobo Antunes?

Num interessante artigo publicado no Observador, Joana Emídio Marques fala da queda das vendas de António Lobo Antunes. O artigo foca-se no vulto maior da literatura portuguesa, de entre os autores vivos, porque Lobo Antunes ocupa solitariamente um trono que

Knausgård escreveu um livro fraco e sabe porquê

Todos os trabalhos de grande fôlego têm falhas. Muitas vezes, é a medida certa dessas falhas, o reconhecermos nelas a humanidade do seu criador, que faz dessas obras de grande extensão obras-primas. Estou a pensar, por exemplo, em 2666, de

Knausgård escreveu um livro fraco e sabe porquê

Todos os trabalhos de grande fôlego têm falhas. Muitas vezes, é a medida certa dessas falhas, o reconhecermos nelas a humanidade do seu criador, que faz dessas obras de grande extensão obras-primas. Estou a pensar, por exemplo, em 2666, de

Retrato dos artistas enquanto jovens cães

John Arne Sæterøy, cartoonista norueguês que assina as suas obras com o nome Jason, pegou num autor da sua estima, Hemingway, e em particular no livro Paris é uma Festa (A Moveable Feast), e retirou de lá a inspiração necessária

Retrato dos artistas enquanto jovens cães

John Arne Sæterøy, cartoonista norueguês que assina as suas obras com o nome Jason, pegou num autor da sua estima, Hemingway, e em particular no livro Paris é uma Festa (A Moveable Feast), e retirou de lá a inspiração necessária

“O que é que me passou pelos cornos?” Entrevista a Rogério Casanova

A ideia de entrevistar Rogério Casanova surgiu de um simples rasgo. Uma ideia genial por dois essenciais motivos: primeiro, porque Rogério Casanova é, sem grande espaço para dúvidas, um dos mais interessantes e criativos e originais cronistas/críticos que surgiram em

“O que é que me passou pelos cornos?” Entrevista a Rogério Casanova

A ideia de entrevistar Rogério Casanova surgiu de um simples rasgo. Uma ideia genial por dois essenciais motivos: primeiro, porque Rogério Casanova é, sem grande espaço para dúvidas, um dos mais interessantes e criativos e originais cronistas/críticos que surgiram em

A carreira 205 e outras coisas bonitas que acontecem no Porto: NOS Primavera Sound 2014

Jeff Mangum criou uma banda sozinho, dentro da sua cabeça e da sua guitarra acústica, repetindo as canções até as decorar, sem escrever as letras num papel sequer. Essa banda chamava-se Neutral Milk Hotel e existiu primeiro em cassettes que

A carreira 205 e outras coisas bonitas que acontecem no Porto: NOS Primavera Sound 2014

Jeff Mangum criou uma banda sozinho, dentro da sua cabeça e da sua guitarra acústica, repetindo as canções até as decorar, sem escrever as letras num papel sequer. Essa banda chamava-se Neutral Milk Hotel e existiu primeiro em cassettes que

Passing shots e tradução

Chamem-me pretensioso, se quiserem, mas o que vos vou contar não é um capricho, é uma necessidade que surge de uma incapacidade. Vou escrever no Ípsilon sobre Open, a autobiografia de Andre Agassi (sim, o tenista). Antes de ter em mãos

Passing shots e tradução

Chamem-me pretensioso, se quiserem, mas o que vos vou contar não é um capricho, é uma necessidade que surge de uma incapacidade. Vou escrever no Ípsilon sobre Open, a autobiografia de Andre Agassi (sim, o tenista). Antes de ter em mãos

Criar encontros: breve entrevista ao editor da Flanzine

A Flanzine é um fanzine que surgiu em 2013, pelas mãos de João Pedro Azul e Luís Olival, dois convictos das potencialidades do Facebook. Lançaram dois números, com os temas “Mala” e “Medo”, e preparam-se agora para lançar o terceiro,

Criar encontros: breve entrevista ao editor da Flanzine

A Flanzine é um fanzine que surgiu em 2013, pelas mãos de João Pedro Azul e Luís Olival, dois convictos das potencialidades do Facebook. Lançaram dois números, com os temas “Mala” e “Medo”, e preparam-se agora para lançar o terceiro,

A cornada demorada

Estas coisas não costumavam falhar. O Emanuel recomendava um livro, eu lia, corria bem, frequentemente muito bem. É verdade que a partilha em sentido inverso nem sempre tem o mesmo destino, mas desta vez calhou-me a mim. Aliás, o livro

A cornada demorada

Estas coisas não costumavam falhar. O Emanuel recomendava um livro, eu lia, corria bem, frequentemente muito bem. É verdade que a partilha em sentido inverso nem sempre tem o mesmo destino, mas desta vez calhou-me a mim. Aliás, o livro

Entre os hipsters e Deus há o Sufjan Stevens

O leque de pessoas do mundo artístico (onde, para que não fiquem dúvidas, estou a incluir a literatura) que admiro é vastíssimo, mas há sempre alguns que me são mais próximos, mais queridos, mais meus. São aqueles a que regresso

Entre os hipsters e Deus há o Sufjan Stevens

O leque de pessoas do mundo artístico (onde, para que não fiquem dúvidas, estou a incluir a literatura) que admiro é vastíssimo, mas há sempre alguns que me são mais próximos, mais queridos, mais meus. São aqueles a que regresso

Escrita criativa: dúvidas sobre uma disciplina

Aquilo que sinto em relação à escrita criativa enquanto disciplina é ambíguo e tem variado ao longo dos últimos anos. Durante uma fase, defendi não apenas a legitimidade de tal disciplina, como a urgência da sua propagação. Na base da

Escrita criativa: dúvidas sobre uma disciplina

Aquilo que sinto em relação à escrita criativa enquanto disciplina é ambíguo e tem variado ao longo dos últimos anos. Durante uma fase, defendi não apenas a legitimidade de tal disciplina, como a urgência da sua propagação. Na base da

Pequena história de uma pessoa banal: Inês Pedrosa

No blogue do Alexandre Andrade, fiquei a saber da existência de uma crónica de Inês Pedrosa sobre o Nobel atribuído a Alice Munro. Procurei a crónica no site do Sol, o jornal onde foi publicada, mas não encontrei. Ainda não

Pequena história de uma pessoa banal: Inês Pedrosa

No blogue do Alexandre Andrade, fiquei a saber da existência de uma crónica de Inês Pedrosa sobre o Nobel atribuído a Alice Munro. Procurei a crónica no site do Sol, o jornal onde foi publicada, mas não encontrei. Ainda não

A mão experiente de Alice Munro

Não sei explicar porquê, mas sempre me entusiasmou o anúncio do Prémio Nobel da Literatura. Talvez esteja relacionado com a forma como entrei na literatura “séria”: tirando uma prima, ninguém na minha família lia; não havia livros lá em casa,

A mão experiente de Alice Munro

Não sei explicar porquê, mas sempre me entusiasmou o anúncio do Prémio Nobel da Literatura. Talvez esteja relacionado com a forma como entrei na literatura “séria”: tirando uma prima, ninguém na minha família lia; não havia livros lá em casa,

A novidade das notícias

Ontem, já depois de ter decidido o tema para a minha crónica de hoje[1], aconteceu uma coisa perfeitamente natural e totalmente inesperada. Na verdade, a ordem pela qual senti a ocorrência foi inversa: primeiro senti a surpresa, o inesperado da

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Ontem, já depois de ter decidido o tema para a minha crónica de hoje[1], aconteceu uma coisa perfeitamente natural e totalmente inesperada. Na verdade, a ordem pela qual senti a ocorrência foi inversa: primeiro senti a surpresa, o inesperado da

Peregrinação para a morte

Depois de Freedom, de Jonathan Franzen, terminei dois dos livros que tinha deixado pendentes nos últimos tempos. Um deles foi Hyperion, de Dan Simmons (que, curiosamente, faz anos hoje), um romance de ficção-científica, de 1989, que venceu os prémios Hugo

Peregrinação para a morte

Depois de Freedom, de Jonathan Franzen, terminei dois dos livros que tinha deixado pendentes nos últimos tempos. Um deles foi Hyperion, de Dan Simmons (que, curiosamente, faz anos hoje), um romance de ficção-científica, de 1989, que venceu os prémios Hugo